A Síndrome de Down e a inclusão: ainda há muito o que progredir

Algumas palavras chegam a cansar, de tanto que as lemos por aí. Empoderamento é uma delas. Não se falava de outra coisa, no Dia da Mulher. Tipo palavra da moda. Enquanto enchíamos a boca para falar de empoderamento, milhares de mulheres continuavam apanhando de seus maridos dentro de casa e outras tantas milhares permaneciam ganhando menos do que os homens em seus postos de trabalho, mesmo tendo a mesma ocupação.

A mesma coisa acontece hoje, quando tudo o que se lê sobre a Síndrome de Down versa sobre inclusão. Não tem um texto sobre o dia 21 de março, Dia Internacional da Síndrome de Down, que não traga a palavra inclusão. Assim como o tal do empoderamento, será apenas uma palavra vazia e sem sentido, se por trás dela não estiver, de fato, o sentido do que significa incluir.

Onde está a inclusão, que tanto se escreve? Que professor vem recendo um treinamento realmente eficaz para trabalhar em sala de aula com uma criança ou adolescente SD? Que médico atende _ e entende _ os anseios e dúvidas de pais de adolescentes downs que estão descobrindo a sua sexualidade, e que não sabem como agir com seus filhos? Quem emprega estes jovens por realmente acreditar em seus potenciais, e não apenas para cumprir uma cota estipulada em lei?Falar de inclusão é fácil. Escrever, idem. Debater sobre o tema, também. Na prática, porém, tudo é bem mais complicado.

Incluir na escola regular não deveria ser colocar a criança sentada num classe, acompanhada de uma assistente que muitas vezes não têm experiência e muito menos vocação para ajudar este aluno com necessidades especiais a aprender. Não é fácil essa missão, bem sei, mas essa criança, na grande maioria das vezes, não recebe a atenção que mereceria e precisaria para desenvolver todo o seu potencial.

Como falar em inclusão em um país onde as Apaes estão constantemente à beira do precipício, sem dinheiro sequer para pagar as contas básicas do mês? Onde as escolas particulares muitas vezes negam vagam para crianças SD porque seus donos dizem que não têm professores preparados para atendê-los? Onde faltam médicos que se preocupem e olhem de forma especial para este público que muitas vezes necessita de um atendimento mais criterioso e regular?Incluir é muito mais do que isto que fizemos hoje.

Estamos recém engatinhando neste processo, mas espero que um dia cheguemos lá.

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