Servidores do Caps da Atalaia serão substituídos por ONG

Funcionários estão insatisfeitos com decisão da SMS
Unidade do bairro Atalaia sofrerá mudanças(Fotos: Portal Infonet)

Os profissionais em saúde mental que atuam no Centro de Atenção Psicossocial Davi Capistrano Filho [que acolhe pacientes com transtornos mentais], no bairro Atalaia, foram informados no final desta terça-feira, 16, que não mais seguirão trabalhando na referida unidade. A decisão partiu da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e no lugar dos funcionários municipais, uma Organização Não Governamental (ONG) prestará o serviço no Caps, por meio de um convênio firmado com a pasta.

No entanto, a atitude da SMS não agradou em nada os atuais funcionários do Caps. Os profissionais em saúde mental temem que as mudanças possam causar uma espécie de “crise” nos usuários, visto que vínculos de anos entre profissional e paciente serão rompidos. “Lidar com transtorno mental não é uma tarefa fácil. Esses pacientes confiam na gente porque estamos acompanhando o tratamento deles há anos, em alguns casos. Quebrar esse vínculo é perigoso e as reações podem ser as mais diversas, desde sensação de abandono ou até mesmo suicídio”, relata o terapeuta ocupacional, Carlos Galberto, que atua na unidade há 12 anos.

Galberto: “Estamos estudando medidas para barrar a decisão da secretaria”

As justificativas da pasta responsável pela saúde municipal para impor às mudanças são de que a unidade compreende uma deficiência no quadro de funcionários, assim como uma estrutura precária e, o mais agravante, haveria denúncias graves feitas por usuários e familiares acerca da Unidade. Por meio de nota, a SMS afirma que a ONG contratada já presta serviços relacionados à saúde mental desde 2002, e os funcionários que hoje atuam no Davi Capistrano, serão remanejados para outras unidades.

De imediato, os funcionários do Caps acionaram o Ministério Público Estadual (MPE). Durante a manhã desta quarta-feira, 17, parte dos profissionais foi ao órgão e discutiu a situação com o promotor de Justiça dos Direitos à Saúde, Dr. Fábio Viegas. Segundo Galberto, outras medidas serão adotadas pela classe no intuito de barrar a decisão da Secretaria Municipal de Saúde, a serem decididas em reuniões ao longo da semana.

Um paciente do Caps demonstrou preocupação com a troca de funcionários. Rogério Freitas é usuário da unidade desde 2014 e diz ainda não saber se as mudanças serão para o melhor dos pacientes. “Já vi gente preocupada, chorando, porque ninguém sabe quem são essas pessoas que vem para cá. É ridículo mudar assim sem consultar ninguém”, reclama.

Perguntado sobre as condições da Unidade, Rogério despista: “não dá para dizer se está ruim ou bom. É fato que há momentos de alegrias e tristeza. Só queremos que o melhor permaneça”, considera. No Caps Davi Capistrano atuam 60 funcionários municipais e a unidade atende 600 usuários, segundo informações de Galberto.

Por Ícaro Novaes e Verlane Estácio

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