Luta contra o alcoolismo tem apoio dos Centros de Atenção Psicossocial

Da Redação
Agência Pará de Notícias
Atualizado em 17/02/2016 18:19:00

“Fui resgatado pela psicologia, que me expulsou os monstros, e pela assistência social, que recuperou minha cidadania”. A declaração é de Antônio Sena, 54 anos, ex-usuário de álcool. “Fui um drogado, morador de rua, viciado. Já levei tiro. Estive na cadeia. Já sofri bastante pelas minhas más escolhas, mas dei a volta por cima. Foram 35 anos nessa perdição. Não fosse o Caps, eu não poderia contar a outra parte dessa história”.

O relato não é uma exceção. Atualmente cerca de um quarto da população traz problemas físicos e psicológicos para si mesmos ou familiares, decorrentes do uso sem controle do álcool. Uma realidade lembrada principalmente nesta quinta-feira (18), quando se inicia a Semana Nacional de Combate ao Alcoolismo.

Segundo dados de 2011 da Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo de álcool excessivo no mundo é responsável por 2,5 milhões de mortes a cada ano. O percentual equivale a 4% de todas as mortes no mundo, o que faz com que o álcool se torne mais letal que a Aids e a tuberculose. A OMS também estima que 76,3 milhões de pessoas tenham diagnóstico do consumo abusivo de álcool.

Apesar de ainda não haverem dados exatos no Pará, o II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), divulgado em abril de 2013, mostra o consumo de álcool crescente e desigual pela população brasileira. O brasileiro está bebendo mais e de forma nociva. A estimativa é que 11,7 milhões de pessoas sejam dependentes de álcool no país.

Com a finalidade de estabelecer uma rede de cuidados em Saúde Mental, Crack, Álcool e outras Drogas, foram pactuados em julho de 2011, a partir da Política Nacional de Saúde Mental, os Centros de Atenção Psicossocial (Caps). No Pará, a instituição está em todos os municípios do Estado. Mais de sete mil usuários já foram atendidos em quatro anos.

Edileusa Alcântara, coordenadora interina do Caps Marajoara, localizado no bairro da Marambaia, explica que a instituição oferece atenção integral e contínua a pessoas com necessidades relacionadas ao consumo de álcool, crack e outras drogas. “O alcoolismo é uma doença crônica, segundo a Organização Mundial de Saúde. Trabalhamos, basicamente, na redução dos danos que os indivíduos podem sofrer, sejam sociais, familiares ou no trabalho. Assim estamos reduzindo também a possibilidade de acidentes de trabalho, de trânsito e de violência, não apenas pessoal, mas coletiva”.

Voluntariado – O centro funciona 24h e dispõe de doze leitos de observação e internação para desintoxicação e repouso para um período de até 14 dias no sistema de acolhimento noturno, além de serviços de assistência terapêutica, avaliação nutricional, visitas domiciliares, atividades educativas e recreativas como oficinas, palestras, grupos de apoio, entre outros, para o período diurno. A instituição conta ainda com 115 profissionais, porém voluntários também atuam colaborando com o atendimento e acolhimento dos usuários nos grupos de apoio.

Antônio Sena, que já foi usuário de álcool, é um desses colaboradores. Hoje estudante do terceiro semestre de psicologia em uma faculdade de Belém, ele diz que já está aplicando o que tem aprendido no dia a dia das sessões do grupo de apoio, no Caps e em outros projetos, como o Andorinha, que resgata dependentes químicos que estão morando na rua. “Já resgatei mais de 100 pessoas que moravam em situações críticas na rua e levei ao Caps, onde são atendidos com o trabalho psicossocial, ou para comunidades terapêuticas, onde podem estender o tratamento. Dessa forma vou contribuindo com a ressocialização e cuidado”.

Pesquisas apontam que o consumo de álcool começa cada vez mais cedo na sociedade. “Quando falamos em alcoolismo, pensamos em usuários de cerca de 50 anos, mas hoje o jovem é apresentado à prática cada vez mais cedo”, ressalta Edileusa Alcântara. “Muitas vezes o consumo do álcool é visto como uma rotina normal. Tomar uma cerveja todo fim de semana não é visto como uma prática danosa. Esse hábito vem sendo inserido nos lares cada vez mais cedo, muitas vezes na infância e incentivada por algum familiar. É comum, hoje, a mãe se assustar ao encontrar o filho consumindo maconha, mas ao vê-lo consumindo álcool, considera normal”.

Recuperação – Wanderley Pará de Souza, 49 anos, teve o primeiro coma alcoólico aos 7 anos e aos 11 uma overdose. Conseguiu um espaço de 14 anos sóbrio e, quando voltou ao consumo, associou ao álcool outras substâncias ilícitas, como o LSD. Perdeu a primeira mulher e filha, mas foi convidado pela atual esposa a conhecer o Caps. “Ela me convidou por dois anos para vir ao centro, e eu sempre resistia. Mesmo quando comecei o tratamento, tive recaídas, deixava de usar o remédio e consumia o álcool ou a droga. Até que consegui ver que o tratamento estava me ajudando, que sozinho eu não conseguiria, há seis anos”.

Wanderley considera que o tratamento é difícil pela própria oferta da droga no dia a dia, pois o álcool é considerado uma droga lícita. “Ela está presente em tudo o que vemos, seja nos comerciais de cerveja na televisão, nas festas, no bar na esquina e até nas músicas. Vemos abertamente que quem consome esse tipo de droga é quem tem aparenta ter poder, destaque, e é isso que o jovem aprende desde cedo”. Para ele, o usuário deve ao menos tentar buscar o controle. Se conseguir passar uma semana sem consumir, pode conseguir mais, então é importante buscar ajuda. “Aqui no Caps o serviço é gratuito e tem tudo o que precisamos para um bom tratamento. Profissionais bons, acolhimento, refeições. Basta que a pessoa queira ao menos tentar deixar o vício”.

Serviço:

Caps Estaduais:

Belém

Caps I: Renascer

Endereço: Travessa do Chaco, entre Visconde e Duque, 1.571

Telefones: 3276-3448/ 3261-9010/ 8814-0423

Caps I: Amazônia

Endereço: Passagem Dalva, 377.

Telefone: 3231-2599/ 3238-0511/8876-8009

Caps I: Icoaraci

Endereço: Rodovia Augusto Montenegro, esquina com Oito de Maio, s/n, anexo ao Hospital Aberlado Santos

Telefone: 3227-9137

Caps III: Grão-Pará

Endereço: Rua dos Tamoios, entre Roberto Camelier e Tupinambás, 1.342

Telefone: 3269-6732

Caps AD lll – Marajoara

Endereço: Conjunto Gleba I, Marambaia

Telefones: 3231-4443/ 3231-1481/ 9144-1832/ 3231-3194

Santarém

Caps II. Endereço: Travessa Dom Amando, 1.057.

Telefone: (93) 3523–9134

Andrea Lia Amazonas
Procuradoria Geral do Estado do Pará
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