Luta antimanicomial vai para a tela

Santos foi pioneira na luta antimanicomial. Durante 30 anos, a Cidade abrigou a Casa de Saúde Anchieta, também conhecida como Casa dos Horrores, devido às péssimas condições: superlotação, falta de profissionais e as denúncias de maus-tratos. Motivos que levaram a Prefeitura a intervir, no fim da década de 80, assumindo a direção do hospital psiquiátrico.

Esse é apenas o início. Com base nele e em muitas outras informações, entrevistas e gravações, o diretor santista Dino Menezes está finalizando o filme Luz, Câmera, Inclusão… Um Filme sobre a Luta Antimanicomial, que vai retratar tais movimentos. Para isso, ele está lançando mão do sistema de crowdfunding (financiamento coletivo).

Voltando a falar da Casa de Saúde Anchieta, a partir da intervenção municipal, o local adotou terapias e serviços para garantir o convívio social dos pacientes. A rádio Tam Tam, dirigida pelo arte-educador Renato Di Renzo e produzida dentro do imóvel pelos chamados loucutores, foi um desses projetos e que acabou levando Dino a querer mostrar, nas telas, toda essa caminhada.

“Eu já conhecia o trabalho e a história do Renato e sempre tive muita curiosidade sobre o tema. Há alguns anos, fui gravar em um Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) e tive a ideia de fazer o filme”.

Para dar vida e alma ao produto, Dino também entrevistou usuários do serviço social. Nele há várias atividades, como aulas de música com instrumentos. Inclusive uma banda foi formada por eles em uma unidade de São Vicente.

“Eles não se veem como loucos. Se veem como pessoas que têm um problema de saúde, sabem que o têm, há as crises, precisam ser medicados e voltam para casa no mesmo dia. O tratamento depende de vários fatores. Qual o problema? A gente, nas ruas, convive com diversas pessoas que achamos normais, só que, de uma hora para a outra, podem surtar”.

Vontades

Os usuários do Caps, afirma o diretor, querem o que todos almejam: inserção na sociedade, ter um emprego, formar uma família. Mas as gravações não se limitaram à região. Dino ampliou a coleta de material em Campinas e na Capital, inclusive em movimentos nas ruas de luta antimanicomial.

Outra preocupação foi a de entrevistar profissionais da saúde que lidam com o problema, dos antigos, do tempo da Casa de Saúde Anchieta, aos mais recentes, ligados à Unifesp.

Luz, Câmera, Inclusão… Um Filme sobre a Luta Antimanicomial começou a ser gravado em 2013, durante as manifestações do dia 18 de maio, quando é celebrado o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Nos dois anos seguintes, o diretor santista e sua equipe trabalharam com recursos próprios e colheram entrevistas de lideranças, usuários do Caps e autoridades. Entre elas, o ex-coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Roberto Tykanori, substituído pelo médico psiquiatra Valencius Wurch, o que, segundo Dino, provocou uma verdadeira avalanche de protestos em todo o País.

“Militantes e profissionais da área acreditam que a mudança pode significar um retrocesso nas políticas públicas do setor, já que Valencius foi diretor de um dos maiores hospícios da América Latina. Desde a nomeação dele, inúmeras petições, notas de repúdio, artigos e cartas de representantes nacionais e internacionais circulam pela internet”, afirma o diretor santista.

A finalização do filme, conta Dino, depende do sistema coletivo de financiamento. Funciona a partir de contribuições individuais de interessados por meio da internet. Para cada valor doado, existe uma recompensa, que vai da colocação do nome do colaborador nos créditos finais da produção a adesivos, camisetas, DVDs e exibições do filme, com a organização de um debate sobre o tema. É possível ainda estabelecer outros valores e recompensas, de acordo com a necessidade da pessoa ou empresa.

“É um média-metragem. Tenho 70 horas de gravações, mas vou usar de 40 a 45 minutos. Vou fazer um formato que possa atender vários segmentos, entre eles, as faculdades, tevês educativas e DVDs para distribuição nos Caps. Precisamos fazer a edição e pagar os direitos autorais para a trilha sonora. Tem música, por exemplo, no Arnaldo Antunes. Se não der, mudaremos tudo”.

Quem quiser ajudar pode fazê-lo com a contribuição mínima de R$ 10,00 na página http://www.kickante.com.br/campanhas/filme-sobre-luta-antimanicomial.

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