Manifestantes voltam a pedir a saída de Valencius da coordenação de Saúde Mental

Foto: Silvia Sampaio

Mais um ato foi organizado para pedir o afastamento do coordenador da Saúde Mental do Ministério da Saúde, Valencius Wurch Duarte Filho, nesta segunda-feira (18), em São Paulo. A manifestação aconteceu na Avenida Paulista e uniu funcionários e usuários de serviços de saúde mental. Protestos têm acontecido por todo o País.

Foto: Silvia Sampaio

Valencius é considerado um retrocesso na luta antimanicomial por ter dirigido a Casa de Saúde Dr. Eiras. O local foi fechado em 2012, por intervenção federal, depois de graves denúncias de violações de direitos humanos cometidas contras internos.

Leia mais sobre os protestos aqui: O movimento da Luta Antimanicomial e o retorno das multidões

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São Paulo – Psicólogos, psiquiatras, enfermeiros e usuários dos serviços de saúde mental do SUS ocuparam ontem (18) o vão livre do Masp, na Avenida Paulista, para reafirmarem que saúde mental não se trata com internação. Eles protestaram contra a nomeação do coordenador nacional da saúde mental, Valencius WurchDuarte Filho, e temem retrocessos na luta antimanicomial.

“Valencius é ex-diretores do Paracambi, manicômio no Rio de Janeiro onde havia diversas torturas, onde muitos pacientes morreram. A gente não acredita que um ex-diretor de manicômio possa assumir um cargo a favor de um serviço substitutivo” afirma Marília Fernandez, que integra o Sindicato dos Psicólogos de São Paulo, em entrevista à repórter Michelle Gomes, para o Seu Jornal, da TVT.

A rede de serviços substitutivos integrada ao SUS, defendida pelos manifestantes, é composta por serviços que garantem integração social das pessoas que sofrem transtornos mentais, como o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e as residências terapêuticas. No Brasil ainda existem 30 mil leitos em hospitais psiquiátricos.

 

Ao contrário dos manicômios, nas residências os pacientes cuidam das tarefas domésticas, têm liberdade pra sair, fazer compras, passear e viajar.

Júlio Bonifácio Correia, que mora em uma das seis residências de São Bernardo do Campo, no ABC, passou por diversos hospitais psiquiátricos e não guarda boas lembranças desses tempos: “Muito sacrifício. Ficava preso e tomava remédio forte. Aqui é mais liberdade.” A monitora da residência, Maria Aparecida Nardini da Silva, conta que um dos objetivos é a ressocialização. “Aqui a gente trata eles como sujeitos, de forma mais humanizada.”

Outro exemplo de atendimento da rede de saúde mental é o Centro de Atenção Psicossocial (Caps). O serviço oferece atendimento psicológico, terapêutico, médico, além de atividades esportivas e culturais.

“Aqui no Caps a gente crê, acredita e luta por um tratamento que tem um outro viés. A ente entende que não é saudável a pessoa ficar internada, longe daquilo em que ela participava, que já fazia parte da vida dela”, afirma a assistente social Magda Pereira. “Dentro de um manicômio você só sai se um enfermeiro abrir a porta. Aqui eu me sinto muito bem. É uma família”, conta Luciana Lima, uma das usuária do Caps.

 

Pessoas protestam contra modelo manicomial em Campinas (Foto: Luís dos Santos)Pessoas protestam contra modelo manicomial em Campinas (Foto: Luís dos Santos)

Funcionários e pacientes dos centros de apoio psicossocial  (Caps) de Campinas (SP), gerenciados pelo Hospital Cândido Ferreira, fizeram nesta tarde de segunda-feira (18) um protesto contra a nomeação do novo coordenador nacional de saúde mental. Segundo os manifestantes, 400 pessoas participaram. Já a Guarda Municipal afirmou que eram 80. Não houve tumulto e o ato terminou por volta das 17h.

Para os manifestantes, que se reuniram em frente à Prefeitura de Campinas, a mudança representa uma aproximação com o antigo modelo manicomial de tratamento. O funcionário Luís dos Santos considera a decisão um retrocesso.

“Ele foi um dos donos de um dos maiores manicômios do mundo e vem no retrocesso do tratamento de saúde mental. A gente luta hoje contra esse nome, mas a nossa luta é contra o sistema manicomial”, afirma.

Luta contra manicômios
O funcionário afirma que a movimentação faz parte de um conjunto de protestos que acontece nesta segunda em São Paulo (SP) e em várias cidades do país pela mesma causa.

Em frente à Prefeitura de Campinas, pessoas levantavam cartazes com frases como “Pela memória daqueles que morreram nos manicômios. Pelo direito à vida. Não esqueceremos jamais” e “não ao manicômio”.

Sem reflexos no trânsito
De acordo com a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), os participantes protestaram na calçada e não chegaram a ocupar as vias da região. Por conta disso, a manifestação não gerou reflexos no trânsito.

Homem com cartaz contra modelo de tratamento manicomial em Campinas (Foto: Luís dos Santos)Homem com cartaz contra modelo de tratamento manicomial em Campinas (Foto: Luís dos Santos)

 

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