Incerteza no setor de Saúde Mental revolta pacientes; entenda a situação

Ontem foi o último dia de atendimento no Ambulatório Municipal de Saúde Mental dos sete psiquiatras que pediram demissão no final de novembro do ano passado. Os especialistas, que eram os responsáveis pelo tratamento de pacientes adultos com problemas psiquiátricos, teriam optado pelo desligamento devido às dificuldades que estariam tendo para cumprir a carga horária. Agora, sem os psiquiatras, os pacientes estão preocupados com a falta de informações sobre o futuro dos atendimentos.
A doméstica Ana Lúcia dos Reis de Matos, de 51 anos, sofre de depressão e transtorno bipolar e há mais de cinco anos faz tratamento com psiquiatra no Ambulatório de Saúde Mental.
Com consulta marcada para o próximo dia 18, ela não conseguiu confirmar se, com a saída dos especialistas, conseguirá ser atendida. “Estou desesperada com a possibilidade de não conseguir atendimento. Sabemos apenas que os médicos pediram demissão, mas as próprias atendentes não sabem o que será do futuro”, disse.
Com uso diário de vários medicamentos que são fornecidos apenas com prescrição médica, a doméstica está com medo de perder o progresso que já conseguiu com o tratamento. “Meus medicamentos já acabaram e tenho medo de tudo o que consegui melhorar nos últimos anos seja perdido por causa dessa situação. Sem o medicamento já sinto as alterações.”
Há cinco anos, o filho da operadora de caixa Maria Helena Marques, de 52 anos, recebe tratamento para transtorno bipolar na unidade. Sem conseguir agendar consulta para o filho, ela afirma não saber o que fazer. “Não estamos falando de qualquer tipo de tratamento, que poderia ser substituído por qualquer profissional. O tratamento do meu filho é complexo, além de ser muito caro. Não tenho condições de realizá-lo na rede particular. A continuidade no tratamento é extremamente importante para evitar que o quadro piore”, disse.
De acordo com a recepcionista do local, os atendimentos estão suspensos, já que não há profissionais para realizá-los e nem informações sobre novas contratações. Ela também não soube dizer se os pacientes serão encaminhados para o Naia (Núcleo de Atendimento a Infância e Adolescência) ou Caps (Centro de Apoio Psicossocial). A orientação para os pacientes é procurar o ambulatório apenas após o dia 20 desse mês.
A Secretaria de Saúde, assim como a assessoria de imprensa da Prefeitura, foi procurada para comentar a situação mas, até o fechamento desta edição, não retornaram o contato.
Incerteza no setor de Saúde Mental revolta pacientes; entenda a situação

Atendimentos no Ambulatório de Saúde Mental estão suspensos após demissão de 7 psiquiatras

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s