CAPS DE LAFAIETE SE MOBILIZA E PROMOVE ABRAÇO SIMBÓLICO

CAPS DE LAFAIETE SE MOBILIZA E PROMOVE ABRAÇO SIMBÓLICO

Trabalhadores e pacientes abraçaram o Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) e Centro Social de Atendimento Psicossocial Álcool e Drogas (Caps – AD) em Lafaiete. O gesto fez parte de um protesto sincronizado com outras diversas unidades no país, na tarde de sexta-feira, dia 18. O motivo da manifestação foi a troca no comando da Coordenação de Saúde Mental com a nomeação de ValênciusWurch. Funcionários, usuários e familiares defendem o modelo atual de atendimento. Além disso, uma nota conjunta de diversas entidades e movimentos sociais, como a Associação Brasileira de Saúde Coletiva e o Conselho Federal de Psicologia, pede que Wurch não assuma o cargo.

Um ponto que pesa contra Valencius é o fato de ele ter sido, nos anos 1990, diretor da Casa de Saúde Dr. Eiras, em Paracambi, na Baixada Fluminense, que já foi o maior hospital psiquiátrico da América Latina. Recaíram sobre a unidade acusações de maus-tratos e violação de direitos dos pacientes. Em 2012, a casa de saúde foi fechada definitivamente pela Justiça do Rio, após uma intensa batalha travada pelo Ministério Público.

O abraço simbólico faz parte do primeiro passo da mobilização em função da ameaça de retrocesso dos direitos conquistados pela Reforma Psiquiátrica Antimanicomial. Em entrevista ao Jornal Correio, a assistente social Gláucia Souza, gerente psicossocial do Caps de Lafaiete, destacou a importância da atual Política de Saúde Mental. “Precisamos de alguém com mais sensibilidade e que seja da nossa luta antimanicomial”, ponderou. A fala foi reforçada por acontecer em meio ao dia de confraternização da unidade, que evidenciou a forma de tratamento humanizado recebida pelos pacientes.

Outra demonstração que retrata o medo de um retrocesso com a indicação foi relatada pela gerente. “Após a desospitalização de pacientes em Barbacena, vários internos vieram para o Caps de Lafaiete. Estavam muito doentes. Comiam o filtro do cigarro, frutas com cascas e ficavam a maior parte do tempo agachados, de cócoras. Eles estão sendo inseridos no nosso modelo de tratamento, totalmente diferente daquele que maltrata o paciente. Com nove meses de tratamento no Caps, eles já estão na escola. Três deles tiveram a formatura no Centro de Convivência da Pessoa com Deficiência”, ressaltou.

Em 2001, a Reforma Psiquiátrica virou Lei e redirecionou todo o modelo de atenção em saúde mental no Brasil, determinando o fechamento dos manicômios no país e criando os Caps’s (Centros de Atenção Psicossocial), onde o cuidado aos pacientes é feito em liberdade. As internações, quando necessárias, são realizadas em hospitais gerais, sempre com a perspectiva de ressocialização do paciente.

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