Movimentos da luta antimanicomial ocupam Ministério da Saúde contra novo coordenador

Wurch Duarte Filho, nomeado pelo ministro Marcelo Castro (PMDB), foi diretor do maior hospital psiquiátrico de administração privada da América Latina; diversas violações de direitos humanos foram constatadas na sua gestão.

15/12/2015

Da Redação

Militantes da luta antimanicomial no Ministério da Saúde | Foto: Reprodução

Movimentos sociais e ativistas ligados à luta antimanicomial ocuparam na manhã desta terça-feira (15) a sala da coordenação geral de saúde mental do Ministério da Saúde. A ação ocorre após a nomeação do novo coordenador de Saúde Mental do órgão, Valencius Wurch Duarte Filho, pelo ministro da Saúde, Marcelo Castro (PMDB).

A Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (Renila) e o Movimento Pró-Saúde Mental do Distrito Federal pedem a exoneração imediata do coordenador nomeado, pois, segundo eles, “Wurch representa um retrocesso de direitos conquistados nos últimos anos por meio da política nacional de saúde mental”.

Várias manifestações também acontecem dentro e fora do prédio do Ministério da Saúde, com a participação de pessoas atendidas pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

Violações de direitos humanos

Wurch Duarte Filho é médico psiquiatra e, de 1994 até 2000, ocupou o cargo de diretor-técnico da Casa de Saúde Dr. Eiras, na Baixada Fluminense, o maior hospital psiquiátrico de administração privada da América Latina.

Ele deixou esse cargo pouco antes de ação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), em 2000, que convocou os governos do estado e do município do Rio de Janeiro a promoverem a reorientação da assistência psiquiátrica do estabelecimento, com a consequente perda da gestão plena municipal e a proibição de novas internações.

No mesmo ano, o relatório da 1ª Caravana Nacional de Direitos Humanos constatou graves violações de direitos humanos no local. Foram verificadas a prática sistemática de eletrochoque, falta de roupas para os internos, quantidade de alimentação insuficiente e de má qualidade, além de um número significativo de pessoas que permaneciam em internação de longa permanência.

Em 2009, a Justiça determinou o fechamento da Casa de Saúde Dr. Eiras e a transferência dos pacientes para outras instituições, como parte da Reforma Psiquiátrica e das novas políticas de Saúde Mental, instauradas pelo Ministério da Saúde. Estas visavam a reinserção das pessoas com transtornos mentais à família e a restringir internações de longo prazo a pacientes.

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