Projeto que institui ‘Parada do Orgulho Louco’ é sancionado no RS

Foi sancionado pelo governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori,  e publicado no Diário Oficial desta segunda-feira (7) o projeto de lei que institui a Parada do Orgulho Louco a ser realizada na última sexta-feira do mês de outubro todos os anos. No entanto, a medida não foi bem recebida por todas as entidades de profissionais que trabalham diretamente no atendimento de pessoas com transtornos mentais.

O tema gerou polêmica no final de outubro por conta da quinta edição da Parada do Orgulho Louco realizada na cidade de Alegrete, na Fronteira Oeste. De acordo com os organizadores, 4 mil pessoas participaram da caminhada que marcou o fim de uma programação de três dias com oficinas e palestras. Na caminhada, alguns dos participantes andaram vestidos como palhaços.

Logo após a parada, no final de outubro, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) acompanhado de sete outras entidades divulgou nota na qual classificou o ato como“revoltante e degradante” por conta da  “irresponsabilidade e falta de sensibilidade daqueles, cuja missão seria justamente cuidar e proteger o enfermo, expondo-o publicamente”.

De acordo com organizadores da parada, o evento foi iniciado ainda em 2011 por uma demanda dos próprios pacientes como parte de um movimento que buscava a conscientização e a inclusão social daqueles que sofrem com doença mental.

“Ficamos contentes com a aprovação da lei que foi sancionada pelo governador, porque é uma forma de afirmação de que o estado reconhece o movimento da reforma antimanicomial como legítimo e, com certeza, o que aconteceu emAlegrete é um movimento que iniciou por parte dos próprios usuários e dos trabalhadores, mas hoje é comunitário, do qual participam movimentos culturais, da educação, da assistência social”, disse Mariana Allgayer, do Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul, completando que a rede de atendimento “não resume as necessidades dessas pessoas”.

Desde a reforma psiquiátrica aprovada em 1992, teve início um processo de substituição progressiva dos leitos de hospitais psiquiátricos pela rede de atenção integral de saúde mental. Ao mesmo tempo, de acordo com a psicóloga, teve início a reinserção social dos pacientes que continuam o tratamento vivendo em sociedade e não apenas enclausuradas, como acontecia antes da mudanças implementadas desde então.

“Nós, enquanto conselho, temos acompanhado todos os movimentos desde a reforma psiquiátrica, sempre em apoio a todos os eventos culturais e comunitários que apoiam a reforma, que têm essa tarefa de problematizar a relação da sociedade com a loucura, desmistificando preconceitos e toda a política de enclausuramento que ocorreu durante muito tempo com as pessoas com sofrimento psíquico”, explicou.

O projeto sancionado nesta segunda foi protocolado na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul em junho de 2015 pelos deputados petistas Adão Villaverde e Stela Farias.

Não fez nada pela saúde mental
Por meio de nota, o presidente do Simers, Paulo de Argollo Mendes, disse que o estado foi governado durante quatro anos pelo partido do deputado Adão Villaverde (PT), mas não fez nada pela atenção à saúde mental durante esse período.

“Assistimos ao aumento trágico da fila de espera por atendimento especializado e à desesperadora falta de leitos, com pacientes aguardando no chão por uma maca”, disse.

Ele afirmou ainda que “em plena epidemia de crack, que consome a nossa juventude, parece que o entendimento do deputado é que esses enfermos não merecem o acolhimento do poder público, restando, como sugere o autor da lei, orgulhar-se do seu próprio sofrimento e da dor de seus familiares. É um desrespeito para com os enfermos”, finalizou.

Evento foi realizado na semana passada na cidade de Alegrete, no RS (Foto: Divulgação)

 

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