Dança influencia na saúde mental dos idosos, diz pesquisa

Conquistando cada vez mais adeptos com o misto de exercício aeróbico e elementos de diferentes ritmos, como salsa, samba, reggae e até mesmo o hip-hop, a zumba também se tornou um agente estimulador da saúde mental de pessoas da terceira idade, conforme revela pesquisa desenvolvida por estudiosos da área.
A iniciativa faz parte do trabalho de conclusão do curso da universitária  Edileide Silva, aluna do curso de Educação Física da Faculdade Mauricio de Nassau, que enxergou neste campo um espaço ainda incipiente de conclusões científicas. O estudo é realizado num grupo de 60 idosos, que ao ser submetido à dança ficou constatado o resultado positivo que o exercício gera  na atenção seletiva e memória operacional dos participantes.
// Edileide Silva, aluna do curso de Educação Física, coordena o estudo com um grupo de 60 idosos
Durante as atividades, os idosos são divididos em dois grupos, sendo um composto por sedentários e outro por praticantes de atividade física. Eles são testados antes e após a dança para que sejam analisados os reflexos dos movimentos. Os testes também se baseiam em coreografias divididas por nível de dificuldade e que tem que ser memorizadas por eles. A faixa etária dos participantes é de 60 a 75 anos.
“Primeiro aplicamos a parte teórica por meio de questionários no computador com teste de cores, depois iniciamos a prática com eles; então, em cada aula vamos observando o equilíbrio, coordenação motora, atenção seletiva. Na sequência, pegamos todos esses aspectos e vamos analisar. Nessas primeiras analises já constatamos que eles têm melhorado bastante em relação a quando chegaram aqui”, explica Edileide.
“O objetivo é verificar até que ponto a zumba pode interferir na melhora da cognição do idoso”, acrescenta o professor da Faculdade Maurício de Nassau e orientador do projeto, Leônidas de Oliveira. Após seis meses de testes, os resultados já podem ser observados como positivos.
// Leônidas de Oliveira, orientador do estudo: benefício para o idoso 
“Para a atenção seletiva, especificamente, observamos que no grupo de praticantes de atividade física a melhora nesse aspecto foi de 20%, em relação ao grupo de sedentários”, complementa ele.
A pesquisadora revela que o estudo foi motivado em parte pelo apreço que ela tem pela dança. “A partir do segundo semestre me interessei pelo trabalho com idosos e os professores foram estimulando para que eu também investisse na parte científica. Como eu gosto de dança, investi nessa área focando no pessoal da terceira idade e foi aí que surgiu a ideia da pesquisa com a utilização da zumba”, recorda a Edileide.
E o motivo para ter enveredado nessa área não foi só o prazer pela dança e a vontade de trabalhar com idosos, como também pesou a constatação de que o assunto carece de mais estudos e estímulo das instituições cientificas em aliar a teoria das salas de aula com a prática, destaca o professor Leônidas de Oliveira.
“O interessante no TCC é isso: não só produzir ciência, mas conseguir aplicá-la no cotidiano dos nossos alunos. A gente pode e deve produzir ciência, claro, mas o mais bonito é conseguir reverter o estudo em benefícios à população”, destaca o orientador.
Além dos benefícios já citados, as aulas de zumba contam com o complemento da musculação, agregando entre as vantagens a perda de peso e condicionamento físico dos alunos, fatores já bastante estudados pelos especialistas.
“Essas condições a gente já sabe que existem, mas neste trabalho focamos na saúde mental, já que percebemos que ainda é uma área carente de pesquisa. Estamos fazendo testes físicos também, mas a saúde mental nos chama mais atenção por ser algo pouco discutido”, esclarece o orientador do projeto.
Alunos aprovam as atividades
Se na teoria os especialistas já estão provando os benefícios da zumba, na prática os alunos já comprovaram. “Perdi peso e ganhei mais disponibilidade para me baixar e levantar. Melhorei muito também da cabeça”, conta a aposentada Inácia Pereira, 65. Ela ainda completa. “Hoje sou outra pessoa. Minha irmã disse que eu estou vivendo o que antes eu não fazia. Agora me divirto, danço e faço um monte de coisa, além de me lembrar melhor das coisas”, atesta.
// Inácia Pereira, aposentada: “Melhorei muito da cabeça”
A também aposentada Ivoneide Costa, 59, conta que se sentia pesada, cansada e sem forças. Hoje o cenário é outro. “Estou bem mais disposta, atenciosa e feliz. Antes eu era muito fechada e me soltei mais. É muito bom fazer. Aconselho a todos que façam”.
Essa interação entre o grupo também se tornou outro benefício da atividade. “Nos mostra que além de ser uma prática prazerosa é sociável, já que a prática em grupo também é capaz de trazer uma melhora na condição de sociabilidade do idoso”, ressalta o orientador Leônidas de Oliveira.
A orientanda destaca que os resultados são gratificantes. “A gente sabe que o idoso se sente isolado e quando tem esse tipo de oportunidade de estar incluso no meio social se torna gratificante para eles e pra mim também, como uma troca já que um dia também vou chegar a idade deles”, diz Edileide.
Bom saber
O que é Zumba? Criada em Miami pelo bailarino e coreógrafo Alberto “Beto” Perez, o ritmo ganhou força nas academias do país, principalmente pela inspiração nos embalos latinos e internacionais. As variações da zumba dependem também do lugar e da idade dos praticantes.  Ela é indicada para todas as idades. A dança pode queimar mais de mil calorias e cada aula, que pode ter a duração de 45 minutos a uma hora alternando movimentos rápidos e lentos.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s