Simpósio na UNIFAL-MG aborda História da Psiquiatria e Esquizofrenia

Especialistas compartilharam experiências no evento promovido pela Liga de Psiquiatria

Com a finalidade de criar um ambiente de troca de informações entre profissionais da área psiquiátrica e estudantes, a Liga Acadêmica de Psiquiatria (LAPS) promoveu nesta terça-feira, 10/11, na sede da Universidade, o primeiro simpósio do grupo.

Estudantes e profissionais da área prestigiaram as palestras ministradas pelos convidados: professor Dr. Paulo Paiva Baisi, médico psiquiatra do corpo docente do curso de Medicina da UNIFAL-MG; professora Dra. Maria Rosana Fernandes, médica psiquiatra do corpo docente da Universidade José do Rosário Vellano (Unifenas) e Vânia Regina Bressan, enfermeira psiquiátrica do curso de Medicina da Instituição.

Na abertura, o presidente e o vice-presidente da Liga, os acadêmicos João Carlos Tavares da Costa e Rafael Clemente, apresentaram os demais integrantes e alguns preceitos da LAPS, que foi fundada em junho deste ano, com o objetivo de estreitar os laços de universitários do curso de Medicina com a área psiquiátrica, visando ações de ensino, pesquisa, promoção da saúde e atenção à comunidade, de forma integrada.

O primeiro palestrante do evento foi o Dr. Paulo, que resgatou a“História da Psiquiatria”, ressaltando a importância de não confundi-la com a história da loucura, a qual retrata tempos muito mais antigos.

Dr. Paulo afirmou que a classe é um pouco crítica em relação a quem escreve a história da Psiquiatria. De acordo com o professor, a tarefa de relatar a Psiquiatria às vezes fica a cargo de outros profissionais da área da saúde que acabam imprimindo seus conhecimentos na história. “Um psiquiatra dinâmico vai aprender a relatar a própria Psiquiatria sobre uma determinada vertente, se é um neurocientista, vai aprender a relatar o período da Psiquiatria que foi psicodinâmica sobre outra visão, colocando assim muitas coisas suas na história. Essa pluralidade é um sinal de riqueza, mas a gente tem que ter essa crítica quando a gente vai ver diversos arquivos e livros”, disse.

Para introduzir ao tema, o médico recordou fatos históricos da loucura. “Desde os primórdios a Psiquiatria era atribuída aos tipos de deuses de possessão, aos demoníacos por todos os povos egípcios, indianos, gregos”, destacou.

O psiquiatra apontou as diferenças na concepção e entendimento da Psiquiatria ao longo das décadas, falando de doenças como a epilepsia eram classificadas e o estado de melancolia, por exemplo, caracterizado.

A linha do tempo apresentada pelo médico mostrou a evolução da Psiquiatria, enfatizando períodos como o das internações em hospitais psiquiátricos realizadas a partir de 1945, e a criação dos Centros de Atenção Psicossocial da atualidade, que são serviços públicos de saúde mental, destinados a atender indivíduos com transtornos mentais relativamente graves.

Abordando o tema “Esquizofrenia: Diagnóstico e Tratamento” de forma clínica, a psiquiatra Dra. Maria Rosana iniciou a palestra fazendo considerações sobre a atuação do médico psiquiatra. “A Psiquiatria é uma especialidade médica que infelizmente, não tem exames laboratoriais para dar diagnóstico. É uma clínica eminentemente descritiva. O psiquiatra precisa fazer uma anamnese bem apurada do histórico do paciente e tem que ser um grande observador”, afirmou.

Segundo a psiquiatra, o médico dessa especialidade precisa saber observar o paciente para fazer o levantamento das perturbações psicopatológicas a fim de que, ao final da entrevista, possa elencar uma hipótese diagnóstica e, em seguida, um plano terapêutico. “A psicopatologia é como se fosse o exame clínico da Psiquiatria. Enquanto o cardiologista faz a ausculta cardíaca, o pneumologista faz a ausculta pulmonar, a gente observa o paciente. Esse paciente vai revelar como está funcionando o seu cérebro através da sua fala, do seu gesto, do conteúdo do seu pensamento”, assinalou.

Dra. Maria Rosana ainda pontuou que o psiquiatra necessita conseguir o máximo possível da cooperação do paciente para fazer o levantamento das informações.“A gente precisa criar junto ao paciente, uma relação de empatia para que o paciente possa confiar em mim e perceber que eu sou capaz de escutá-lo, de compreendê-lo, de ajudá-lo. E nós sabemos, por exemplo, que na esquizofrenia, um dos pontos que é muito básico do paciente esquizofrênico, é justamente a desconfiança. O esquizofrênico é um sujeito desconfiado. Então às vezes essa possibilidade de vínculo com paciente é dificultada”,explicou.

A médica falou ainda sobre os conceitos da esquizofrenia, alguns critérios de diagnóstico e o tratamento.

O encerramento do simpósio foi ministrado pela enfermeira Vânia o tema  Esquizofrenia: Abordagem Interdisciplinar”.

Compartilhando a experiência adquirida durante três anos de atuação no Programa de Esquizofrenia da UNIFESP, Vânia retomou o conceito apresentado pela Dra. Maria Rosana e explicou: “A Esquizofrenia é uma doença funcional sem causa específica controlável e não curável, portanto, uma doença crônica. é considerada uma das formas mais sérias de transtorno mental, resulta em incapacidade crônica e tem início no final da adolescência e início da idade adulta que é quando geralmente nós, nos tornamos produtivos”, assinalou.

De acordo com a enfermeira, muitos pacientes de esquizofrenia deixam de estudar, por não conseguirem continuar. “Em muitos, o transtorno aparece na fase em que está entrando na faculdade e a questão das atividades do trabalho é comprometida”, comentou.

O 1º Simpósio da Liga Acadêmica de Psiquiatria contou também com sorteio de brindes e coffee break.

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