Os cuidados especiais da mãe-chimpanzé com a cria com Síndrome de Down

Aconteceu no Parque Nacional das Montanhas Mahale, na Tanzânia. Cientistas japoneses observaram o comportamento de uma mãe chimpanzé que tinha constantemente uma cria ao colo.

Subia às árvores com apenas 3 patas, para poder transportar o mais pequeno, deu de mamar até mais tarde que o habitual. Um tratamento especial que aguçou a curiosidade dos investigadores da Universidade de Quioto.

Perceberm que a cria era diferente. Tinha Síndrome de Down.

Os cientistas acreditam que “os cuidados redobrados da mãe devido às deficiências da sua cria e os cuidados dados também pela irmã (da mãe) ajudaram-na a sobreviver durante 23 meses na selva”.

De acordo com a BBC, só há registo no mundo de dois casos de chimpanzés com deficiências, que sobreviveram durante longos períodos. Ambos nasceram em cativeiro e contaram com o apoio de humanos.

Esta descoberta irá permitir aos investigadores perceber “como a sociedade humana, que socialmente toma conta dos seus membros com deficiências, tem evoluído” explicou à BBC, Michio Nakamura, um dos investigadores.

Esforços redobrados levados a cabo por uma mãe chimpanzé para com a sua cria, que sofria de Síndrome de Down, permitiu que esta tenha sobrevivido durante perto de dois anos, num caso inédito observado por cientistas japoneses no Parque Nacional das Montanhas Mahale, na Tanzânia.

A mãe chimpanzé passou a subir às árvores com apenas três patas, para poder segurar a sua cria ao mesmo tempo, e deixou de tentar apanhar peixes e formigas por não conseguir fazê-lo nessas condições, e deu-lhe de mamar até mais tarde, devido à sua incapacidade de ingerir alimentos sólidos.

“Os cuidados redobrados da mãe face às deficiências da sua cria e os cuidados dados também pela irmã (da mãe) ajudaram-na a sobreviver durante 23 meses na selva”, referiram os investigadores da Universidade de Kyoto, que após esses período não voltaram a encontrar a chimpanzé com Síndrome de Down e pensam que terá morrido de má nutrição.

“É muito interessante que a irmã mais velha tenha tido um papel de tomar conta da cria”, afirmou o investigador Michio Nakamura, “teria sido um enorme fardo para a mãe tomar conta da sua cria sem o auxílio da sua irmã”.

A mãe do chimpanzé deficiente não deixou contudo que outros chimpanzés fora da sua família tratassem dela, apesar destes não mostrarem qualquer aversão ou receio perante a mesma.

Os cuidados especiais terão provavelmente permitido a que a chimpanzé com Síndrome de Down tenha sobrevivido durante tanto tempo. Só há registo de dois casos de chimpanzés com deficiências que sobreviveram durante longos períodos e ambos ocorreram em cativeiro e com o apoio de humanos.

“Nós acreditamos que este estudo oferece novas pistas de como a sociedade humana, que socialmente toma conta dos seus membros com deficiências, tem evoluído”, referiu Nakamura.

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