Síndrome de transtorno de estresse pós-traumático Uma doença mental causada por trauma pode ser um dos primeiros distúrbios psíquicos a serem compreendidos em termos físicos

Síndrome de transtorno de estresse pós-traumático

nov, 2015
Síndrome de transtorno de estresse pós-traumático
Pessoas que sofrem do transtorno de estresse pós-traumático têm dificuldade em distinguir as ameaças reais e as que podem ser ignoradas (Foto: Wikipedia)
Relatos de um medo debilitante que se apodera de uma pessoa depois de uma situação traumática existem desde a guerra de Troia. No século XIX, os sobreviventes de um acidente de trem foram diagnosticados com a síndrome do chicote, decorrente de uma lesão na região cervical, porque na opinião dos médicos a histeria deles originava-se de uma compressão na coluna vertebral. Na Primeira Guerra Mundial, alguns soldados expostos à violência dos campos de batalha apresentaram sintomas da neurose de guerra, com graves danos ao sistema nervoso central.

Mas só quando os soldados voltaram da Guerra do Vietnã com os mesmos sintomas de hipervigilância, flashbacks e pesadelos, os médicos decidiram estudar esse distúrbio psíquico com mais profundidade. Em 1980, surgiu a expressão transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) para designar o conjunto de sintomas físicos e emocionais causados por situações traumáticas ou atos violentos.

Desde então, as pesquisas fizeram descobertas importantíssimas sobre as causas do TEPT e de como tratar essa síndrome que afeta um grande número de pessoas. O TEPT é mais comum em pessoas que sofreram traumas repetidos; é também mais provável de afetar uma pessoa que conhece quem a atacou ou o motivo da agressão. O trauma na infância, quando o cérebro ainda está aprendendo o que é o mundo e o que deve ser temido, torna as pessoas mais vulneráveis na idade adulta.

Porém a principal diferença do TEPT em relação à maioria dos distúrbios mentais é ofato de atingir outros mamíferos, que sentem e demonstram medo da mesma maneira que os seres humanos. Muitas doenças mentais ainda têm causas misteriosas, mas os progressos dos estudos referentes ao TEPT são notáveis. E a pesquisa neural está revelando por que as pessoas ficam paralisadas ou em estado de pânico quando sentem medo.

As amígdalas, os dois lóbulos arredondados do tamanho de uma amêndoa situados na superfície anterior do cerebelo, têm o papel de processar o significado emocional de estímulos, como cheiros e sons que provocam medo, e os enviam para outras partes do cérebro, que filtram os sinais antes da reação. Em pessoas que sofrem do transtorno de estresse pós-traumático, os filtros têm dificuldade em distinguir as ameaças reais e as que podem ser ignoradas.

Uma mulher agredida em um bar barulhento pode ter uma reação de medo ao ouvir o barulho de copos por algumas semanas, mas aos poucos, com o que chamamos de “extinção do medo”, a associação positiva de estar na companhia de amigos brindando em ocasiões festivas superará as lembranças negativas.

À medida que as pessoas conseguem controlar a sensação de pânico e os flashbacks das situações traumáticas, mais o medo se dissipa. Por esse motivo, não se deve esconder o trauma, e sim tentar enfrentá-lo. Quando esse mecanismo falha, os sintomas do TEPT aparecem. Há pouco tempo, os pesquisadores fizeram uma descoberta instigante de marcadores biológicos que mostram as diferenças entre o cérebro, os genes e o sangue de pessoas afetadas pelo transtorno de estresse pós-traumático e as que não têm esse tipo de distúrbio mental.

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