Precariedade da rede hospitalar faz com que usuários de droga virem caso de polícia

O presidente da Associação Mineira de Psiquiatria, Maurício Leão Rezende, confirma as deficiências no atendimento de urgência de usuários de drogas. Segundo ele, há um ciclo crítico no sistema. Por mais que se articule uma rede de atendimento com promoção da saúde, prevenção da dependência química, tratamento do vício, das comorbidades e a reinserção social, nada funciona na prática, na avaliação do especialista.

“A rede é muito precária, não dá conta de atender adequadamente nas esferas física, psíquica e comportamental. Se o paciente tem problema físico, é atendido em hospitais gerais, quando tem dimensão psiquiátrica, vai para os hospitais psiquiátricos, e se o problema for comportamental, vira caso de polícia”, critica Rezende.

Sem vaga

Quem depende do atendimento sofre com a falta de continuidade do tratamento. “Os médicos não querem ficar com o paciente, falam que não tem vaga. Nunca tem vaga. Esse vai e vem é uma peleja só”, desabafa a mãe de uma usuária de crack, que prefere não ser identificada.

A filha dela é dependente química há 14 anos e já passou por uma internação compulsória, mas não conseguiu livrar-se do vício. Hoje, fica parte do tempo em um Centro de Referência em Saúde Mental (Cersam) da Prefeitura de Belo Horizonte. “Antes, eu levava ao (hospital) Raul Soares, mas não estão aceitando ela mais. No Cersam não há muita segurança e ela sempre consegue fugir. É uma luta”, lamenta.

Presidente da ONG Defesa Social, Robert William diz que a solução do problema esbarra em três fatores: falta de política pública, o usuário não tem vontade de se tratar e as famílias não conseguem fazer com que ele passe pelo tratamento. “Esse é um problema crônico. A dependência é tratada tão somente como doença mental”, afirma.

OLHO: 30% dos usuários de crack e cocaína no Brasil têm de 25 a 34 anos, faixa etária considerada produtiva
OLHO: “Mesmo que o usuário seja convencido a se tratar, faltam equipamentos para isso” (Maurício Leão Rezende – presidente da Associação Mineira de Psiquiatria)

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