Depressão

A dona de casa Suzely da Rocha Neves diz que há 12 anos faz tratamento contra depressão no Ambulatório de Saúde Mental de Franca (SP). Nesta quinta-feira (21), quando chegou à unidade para a consulta de rotina, foi surpreendida pela notícia de que não havia médicos para atendê-la.

Irritada com a situação, Suzely e o pai, o aposentado Nelson da Rocha Neves, procuraram a Polícia Civil e registraram um boletim de ocorrência contra a Prefeitura. “Eu já tive duas tentativas de suicídio. Não posso ficar sem os remédios”, disse a dona de casa.

Sete dos nove psiquiatras que atuavam no Ambulatório pediram demissão em novembro e, até agora, as vagas não foram preenchidas. Em nota, a Prefeitura informou que atendimentos emergenciais estão sendo realizados no Pronto Socorro Dr. Álvaro Azzuz por médicos e psicólogos.

“Eu posso ficar muito ansiosa sem os remédios, não sei qual pode ser a minha atitude, talvez eu faça até uma besteira”, disse Suzely, ao lado de outros pacientes que também não foram atendidos. “Eu não tenho como pagar uma consulta”, reclamou.

Neves afirmou que está preocupado com a possibilidade de o tratamento da filha ser interrompido. Segundo o aposentado, a dona de casa foi consultada pela última vez em outubro do ano passado e o remédio controlado que ela utiliza termina nessa quinta-feira.

“Isso é uma falta de respeito com o ser humano. A gente não tem receita e se for em médico particular, o custo é alto e o preço da medicação é alta também. Eu não tenho condições de pagar porque sou aposentado”, disse.

Suzely da Rocha Neves sofre de depressão e faz tratamento psiquiátrico no Ambulatório de Saúde Mental de Franca (SP) há 12 anos (Foto: Márcio Meireles/ EPTV)Suzely da Rocha Neves diz que faz tratamento contra depressão há 12 anos (Foto: Márcio Meireles/ EPTV)

O Ambulatório de Saúde Mental atende cerca de 60 pacientes por semana. Sem psiquiatras na unidade, as consultas estão sendo canceladas. Não há previsão para reagendamentos porque a Prefeitura informou, em nota, que está aguardando a homologação de um concurso público para convocar novos médicos.

“Eu acho injusto com as pessoas que são atendidas. Eles disseram que os médicos pediram demissão, que é livre-arbítrio das pessoas pedirem demissão. Mas, como a gente fica? A minha pressão sobe direto sem medicamento”, reclamou Ana Lúcia dos Reis Matos, que também só foi informada sobre o cancelamento da consulta na manhã desta quinta-feira.

Novos médicos
Em nota, a Prefeitura de Franca informou que além dos sete médicos que pediram demissão, outros três – um deles psiquiatra infantil – que foram aprovados em processo seletivo e concurso público não assumiram as vagas.

Segundo a administração municipal, as receitas dos pacientes estão sendo feitas por clínicos gerais, neurologistas e médicos que fazem apoio matricial na rede pública em saúde mental. O atendimento emergencial está sendo realizado no Pronto Socorro Dr. Álvaro Azzuz

Por fim, a Prefeitura comunicou que “está trabalhando para normalizar o atendimento o mais rápido possível” e que aguarda a homologação de concurso público para convocar três médicos psiquiatras.

Sem denúncias
O conselheiro Ulisses Menicucci, representante do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), disse que ainda não recebeu denúncia de pacientes em relação ao problema e que aguarda a solução do caso por parte do governo municipal.

Pacientes que tinham horário agendado desde o final do ano passado, voltaram para casa sem atendimento (Foto: Márcio Meireles/ EPTV)Pacientes voltaram para casa sem atendimento nesta quinta-feira (21) (Foto: Márcio Meireles/ EPTV)
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Gratuidade

A partir do decreto publicado hoje no Diário Oficial, beneficiário passa a ter direito ilimitado de viagens diárias

A Autarquia Municipal de Trânsito e Transporte (AMTT) de Ponta Grossa está regulamentando a lei municipal 7.018/02, que concede benefícios tarifários aos portadores de deficiência e idosos, através do decreto 10.740/15, publicado nesta terça-feira no Diário Oficial do Município. A regulamentação pretende desburocratizar o acesso ao benefício, evitando fraudes e permitindo maior controle da AMTT. O decreto passa a ter validade a partir desta terça-feira.

A partir do decreto, o beneficiário passa a ter direito ilimitado de viagens. Até então, a isenção era válida para duas viagens diárias. Outra mudança que vinha sendo solicitada pelos beneficiários é em relação à apresentação anual do laudo médico comprovando a deficiência para a renovação do beneficio. A partir do decreto 10.740/15, o laudo médico não será mais cobrado anualmente, bastará apenas uma vez, no pedido da isenção.

O decreto também padroniza sobre acompanhantes dos beneficiários, que também têm isenção no pagamento da passagem. A partir de agora, o beneficiário poderá cadastrar três acompanhantes junto à AMTT. Somente estas três pessoas estarão autorizadas a acompanhá-lo. Para o cadastro, os acompanhantes devem apresentar RG ou outro documento oficial com foto, CPF e termo de responsabilidade pelo uso indevido.

O cadastro dos beneficiários passa a ser concentrado na Secretaria Municipal de Assistência Social, através do Proamor. A AMTT fará a vistoria dos pedidos e a liberação. Antes da regulamentação, o cadastro era feito pelas entidades filantrópicas e repassado diretamente para a empresa concessionária do transporte coletivo de Ponta Grossa. Outra mudança é a exigência do CPF para a realização do cadastro. “O CPF evita a duplicidade de beneficiário, tornando o processo mais transparente”, diz a diretora do Departamento de Transportes da AMTT, Rosana Cruz.

O cadastro dos portadores de deficiência mental e doença mental com comprometimento de locomoção deverão ser feitos pela Fundação Proamor, no Programa de Controle Integrado de Transporte (PCIT)-AMTT, que autorizará a concessionária a emitir ou remover o bilhete de isento. Já os doentes mentais em tratamento no Ambulatório de Saúde Mental ou no CAP’s devem ser cadastrados no PCIT-AMTT pela Gerência da Saúde Mental, que solicitará o cancelamento do benefício sempre que o paciente não estiver realizando o tratamento prescrito. Para os doentes mentais em tratamento particular, será aceito o laudo médico apenas por especialistas credenciados pela AMTT. Até que o médico não seja credenciado pela AMTT, serão aceitos os laudos emitidos pelos médicos particulares especialistas na enfermidade dos pacientes.

O decreto também dá mais autonomia para a AMTT para atuar quando houver a suspeita de fraude. A autarquia poderá auditar as concessões tarifárias, podendo requisitar mais documentos, cancelar, suspender o beneficio, determinar bloqueios provisórios, e convocar beneficiários para esclarecimentos ou exames clínicos.

Informações da assessoria.

Saúde Mental: Possibilidades e vivências dentro e fora do CAPS

Saúde Mental: Possibilidades e vivências dentro e fora do CAPS

Da Redação

Na última quarta-feira (11/11), atendidos e colaboradores dos CAPS – Centro de Atendimento Psicossocial, promoveram um encontro em frente à Prefeitura de Cotia para comemorar os 20 anos da reforma psiquiátrica no Brasil.

Por meio de uma roda de conversa cada um dos presentes escolheu uma forma de externar o significado desta data. Alguns optaram por falar sobre quais são os seus anseios e suas valiosas conquistas. Em forma de música, poema e, também, com exposição dos itens que produzem nas oficinas nos CAPS, todos puderam apresentar um pouco da habilidade e do talento que possuem e que aprimoram durante os atendimentos realizados nos CAPS.

Todos foram recepcionados pelo Prefeito Carlão Camargo no auditório da Prefeitura de Cotia e falaram sobre os avanços da saúde mental e novos projetos.

Em Cotia, nos centros de Atenção Psicossocial, o paciente recebe acompanhamento especializado, participa de oficinas terapêuticas, atendimento individualizado, em grupo e para familiares. Antes da reforma psiquiátrica, milhares de pessoas foram submetidas a tratamentos em instituições fechadas no país.

Entre os avanços apontados pela Secretaria Municipal da Saúde está a recém conquistada regulamentação dos CAPS onde todos os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde foram avaliados e validados.  Segundo o coordenador da Saúde Mental, Dr. Messias, está nos planos da municipalidade a implantação de uma residência terapêutica, o que possibilitará uma ampliação da gama de serviços ofertados.

O CAPS infanto-juvenil realizou de maio a agosto deste ano mais de 1000 atendimentos, contando com avaliação multiprofissional, atendimento individual com psicólogo, atendimento em grupo, oficinas terapêuticas, atendimento a grupo familiares, consulta de enfermagem, psiquiátrica e fonoaudióloga.

Já o CAPS AD (Álcool e Drogas) manteve a média de mais de 150 pacientes ativos por mês no quadrimestre de maio a agosto. O CAPS Adulto II realizou 114 acolhimentos neste período e em junho chegou a promover 330 atendimentos individualizados com profissionais da área de psicologia.

Além dos CAPS a rede de atenção à saúde mental está implantada por regiões. São elas: Granja Viana, Centro Sul, Centro Norte e Caucaia.

Participaram do encontro coordenadores dos CAPS, colaboradores e atendidos. Prestigiaram os presentes, o Prefeito Carlão Camargo, o secretário de Gabinete, José Lopes, Secretário de Esportes, André Vasques, Subsecretário de Esportes (núcleo Caucaia) Laércio Pires e vereador Cabo Givaldo.

Acompanhe o relato do casal Berenice e Alexandre Matos sobre as possibilidades e vivências dentro e fora do CAPS

Nome: Alexandre Matossou natural de Campinas e agora sou morador de Cotia, estou satisfeito e feliz. O CAPS me recebeu de braços abertos. Minha recuperação foi dura, mas estou perseverando e, inclusive, já estou recebendo apoio para conseguir trabalhar. Com depressão cai num ambiente desconhecido pra mim, recebi um impacto muito grande. Atuei como acompanhante de pacientes e atualmente estou tratando de uma depressão.  Fui recebido por excelentes profissionais no CAPS e agradeço ao prefeito por oferecer estas condições de tratamento e manutenção dos CAPS.

De 0 a 10- como você define o tratamento antes e depois do CAPS?Antes eu estava zero, ou posso até dizer um ou três negativos. Agora estou com 8 e estou crescendo, estou me desenvolvendo. Por conta dos tremores sinto dificuldade para me expressar, antes eu falava com mais fluência, mas estou me recuperando a cada dia.

Berenice Mattos (esposa de Alexandre) – Sou natural de Itapecerica, mas atualmente moramos no Jardim Isis.

Qual a importância do atendimento do CAPS na vida de vocês?

No momento mais difícil da minha vida o CAPS me deu forças para ajudar a recuperar a saúde do meu marido. Encontrei amigos, apoio e ajuda pra retirar meu esposo da fase mais difícil a doença. Tenho muito a agradecer ao CAPS, a cidade de Cotia, a maneira como fui acolhida.

Qual o significado de celebrar os 20 anos da reforma psiquiátrica?

Este evento de hoje simboliza humanização, respeito, confraternização, anseio por um futuro melhor para pacientes e familiares.

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Saúde Mental do Município quer atuar integrada com Postos de Saúde

da assessoria de imprensa da Prefeitura de Mairinque

Nesta terça-feira, 17 de novembro, o Departamento de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde de Mairinque iniciou um trabalho de ampliação do suporte aos pacientes de saúde mental atendidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Essa adequação, que os profissionais de Saúde chamam de matriciamento, propõe uma integração pedagógica-terapêutica entre a Saúde Mental do Município e as Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Participaram da reunião realizada na terça-feira, no prédio do Centro de Reabilitação Bem Me Quer, no Jardim Cruzeiro, o chefe do Departamento Municipal de Saúde Mental, Luís Carlos Azarias, a psiquiatra Maria Luciana Oliveira Grillo, o enfermeiro do departamento, Roque Aparecido Rosa, a secretaria municipal de Saúde, Vanessa Paulino, a diretora de Saúde, Laís Perez Prado de Ângelo, além de médicos e auxiliares de enfermagem das Unidades Básicas.

Azarias explica que o matriciamento é uma proposta do Ministério da Saúde em que os pacientes com quadro de transtornos mentais são acolhidos nos postos de saúde mais próximos de sua residência. “A Saúde Mental vai trabalhar em sintonia com Rede Básica. Vamos estreitar esse relacionamento por meio de reuniões periódicas e conferências virtuais, pelas redes sociais, de modo que os profissionais da atenção primária estejam em constante contato com a Saúde Mental, sempre com a referência da psiquiatra Maria Luciana”, esclareceu.

Esse cuidado colaborativo, como prevê o matriciamento, no entender de Azaria, permite o atendimento clínico ampliado na UBS e possibilita, ainda, a integração entre diferentes especialidades. “O paciente pode ir diretamente para a Unidade Básica ou, ainda, do Pronto Atendimento (PA) ou da própria Saúde Mental para a Unidade Básica. Isso é possível – complementa o psicólogo, com troca de conhecimentos e com o fortalecimento do vínculo da Rede Municipal de Saúde com o paciente”.

Na próxima reunião, a ser marcada para a próxima semana, os profissionais de Saúde voltam a se reunir para avaliar o matriciamento. “Vamos incluir na pauta, também, o andamento dos projetos para a construção do nosso Caps (Centro de Atenção Psicossocial) e da Residência Terapêutica que serão fundamentais para o desenvolvimento das nossas políticas de Saúde mental”, concluiu o psicólogo.

Número de professores com transtornos mentais dobra no Brasil

Número de professores com transtornos mentais dobra no Brasil

O número de professores afastados por transtornos mentais ou comportamentais nas escolas estaduais de São Paulo quase dobrou em 2016 em relação a 2015: foi de 25.849 para 50.046. Segundo dados obtidos pela Globonews, por meio da lei de acesso à informação, até setembro de 2017, 27.082 professores se afastaram.

O número de 50 mil afastados em 2016 representa 37% do total das licenças médicas pelas mais diversas causas.

Agressões físicas, verbais e até ameaças atingem professores em todo os estados de São Paulo. Um programa da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo treinou profissionais para mediar os conflitos na rede pública do estado.

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Por um novo modelo de psiquiatria no esporte

Por Bruno Kaehler

11/03/2018 às 07h00

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Foto: Leonardo Costa

Preparadores físicos, médicos, fisiologistas, massagistas e psicólogos são alguns dos profissionais que integram, culturalmente, o departamento médico (DM) de equipes esportivas, de alto rendimento ou não. Quanto há um transtorno mental em algum atleta, contudo, ele é direcionado a um psiquiatra, em modelo terceirizado de atendimento. Esta realidade é o ponto de partida do projeto do juiz-forano Dr. Helio Fádel, psiquiatra especializado na área esportiva, que busca a incorporação do psiquiatra no DM das agremiações, em contato diário com todos os integrantes das instituições da área, iniciativa ainda pouco difundida no Brasil.

Médico formado pela Suprema-JF, assim como em Psiquiatria no Hospital Central da Aeronáutica do Rio de Janeiro (RJ), Fádel é membro da Sociedade Internacional de Psiquiatria do Esporte (ISSP) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), além de co-autor do livro Psiquiatria do Esporte – Estratégias para qualidade de vida e desempenho máximo, com lançamento agendado para 23 de março, no Rio de Janeiro, e 4 de abril, em Juiz de Fora. Ex-atleta de equipes brasileiras e da Espanha, ele iniciou conversas com clubes e dirigentes da cidade, assim como do país, caso do Flamengo, e explicou o projeto à Tribuna em entrevista exclusiva.

– Como ex-atleta, quais benefícios da implementação deste modelo no clube?

– O atleta ainda tem uma sensação de vulnerabilidade, de fragilidade ao ter que buscar o psiquiatra. Ele geralmente não recebe bem essa notícia ou solicitação do clube. E através desse modelo terceirizado os jogadores acabam não indo ao psiquiatra algumas vezes e isso se torna público, as pessoas começam a criticá-lo… é algo que a psiquiatria do esporte in loco, no contexto de acompanhamento diário, evitaria. Ele vai entender como apenas mais um profissional da área de saúde que estará cuidando dele e dos demais. Claro que um atleta com um problema pontual irá receber uma atenção maior. Esse modelo que eu estou trazendo visa também uma assistência aos familiares dos atletas, como se fosse um convênio mesmo com a instituição. Os jogadores terão assistência, assim como podemos dar aos familiares e próprios dirigentes. Isso vai ajudar no crescimento individual e da agremiação.

Foto: Leonardo Costa

– Você chegou a conversar com agremiações de Juiz de Fora?

– Sim, e não só de Juiz de Fora. Tive a oportunidade de conversar com o Tupi, onde foram muito receptivos e acharam a ideia pertinente. Estamos projetando para 2018 ainda uma parceria. Paralelamente também conversei com o Clube Bom Pastor e com o JF Vôlei. Falamos de futebol por ser o principal esporte do país, mas a psiquiatria do esporte não se restringe ao futebol, e vou além: também não é apenas para profissionais de alto rendimento. Pessoas que fazem do esporte algo relevante na vida também podem se beneficiar com essa assistência até visando a otimização de sua performance. E fora da cidade pude conversar com algumas agremiações. Fui super bem recebido pelo Flamengo, o Dr. Márcio Tannure (chefe do DM do Flamengo) sempre muito atento e de uma boa vontade muito grande. É algo que ainda estou apresentando a eles. Toda a população precisa entender um pouco mais, quebrar esse estigma de que a psiquiatria é algo para gente doida, o que chamamos de psicofobia. Mas isso aos poucos tenho certeza que será integrado e muito bem aceito, como já vem sendo.

 

– Qual o cenário da psiquiatria esportiva no país e no mundo?

– Em 1994 foi criada a Sociedade Internacional de Psiquiatria do Esporte, da qual sou membro atualmente. Nos Estados Unidos e países europeus eles já incorporam a psiquiatria de forma mais eficaz e presente. Vários times da NFL (liga de futebol americano), MBL (liga de baseball) nos EUA já possuem psiquiatras incorporados, e alguns países europeus vêm fazendo movimento em prol do psiquiatra no contexto esportivo, filiado à agremiação. No Brasil, das notícias que eu tenho, o Grêmio chegou a contratar psiquiatras para o Mundial que participou (dezembro de 2017), e o Atlético Paranaense também já tem psiquiatras, se não me engano são dois, que estão incorporando seu departamento médico. Já existe um movimento em prol disso.

Tribuna de Minas – Seu objetivo é implementar o psiquiatra no departamento médico de agremiações esportivas?

Helio Fádel – Isso é muito importante porque o modelo atual instituído de um psiquiatra é de uma forma mais terceirizada. Isso coloca o psiquiatra como uma figura intervencionista apenas para momentos de crise. Quando chega um atleta, e falando um pouco de agremiações esportivas, ele já tem um transtorno instaurado. O modelo que eu proponho da psiquiatria do esporte é que haja um acompanhamento, uma assistência psiquiátrica multiprofissional com os psicólogos do esporte, nutricionistas, fisiologistas, médicos do esporte, desde as categorias de base. Porque é na base que muitos transtornos psiquiátricos tendem a surgir. E sabemos que quanto mais precoce for a intervenção, melhor o prognóstico do atleta. São diversos os benefícios deste modelo a atletas, agremiação esportiva e até psiquiatra. É o atendimento in loco, na prática diária, podendo observar o esportista, como são suas relações interpessoais, uma eventual mudança de comportamento, o comprometimento dele no seu trabalho. É um projeto ainda embrionário, mas que tem uma pertinência muito grande. Vemos na mídia os jogadores de futebol, que muitas vezes têm que se deslocar até um psiquiatra, o que pode gerar uma exposição negativa. Se você prover isso todos os dias, o jogador terá uma relação médico-paciente melhor, vai estabelecer uma confiança com o psiquiatra e seu prognóstico, toda a sua aceitação e dos demais para a psiquiatria irão melhorar.

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Grupo defende uso do eletrochoque pelo SUS em pacientes com depressão severa

Familiares de pacientes com depressão severa estão em campanha pela implantação na saúde pública de Mato Grosso do extinto e polêmico eletrochoque. Não mais no modelo antigo, amplamente denunciado por profissionais da área e em filmes, como “Um estranho no ninho”, em que o personagem principal, interpretado pelo ator Jack Nicholson, morre após violenta sessão de eletrochoque. O que defendem, com aval da Sociedade Mato-grossense de Psiquiatria, é a compra do Equipamento de Eletroconvulsoterapia (ECT).

O ECT faz os disparos controlados por alta tecnologia, em sala especial, com acompanhamento médico, mediante anestesia e, portanto, sem dor. O equipamento custa R$ 120 mil, mas pode favorecer algo em torno de 400 pessoas em sofrimento emocional, inclusive em risco de desistir da vida.

Um dos líderes da campanha é o consultor de empresas José Carlos Dorte. Ele é pai de uma paciente de 28 anos. Há seis anos, a depressão transformou a vida dela em um rio de lágrimas e foi se agravando. Neste período, ela teve vários surtos, largou a faculdade, se fecha no quarto quase sempre para chorar, perdeu amigos, teve ideação suicida e, para piorar, os medicamentos não fazem mais o efeito esperado. Diante dos olhos da família, que se sente impotente e triste também, ela foi piorando, cada dia mais, de um jeito assustador. “Tentamos de tudo, medicamentos, terapia, até que em janeiro do ano passado surtou seriamente e descobrimos o ECT. A melhora foi imediata, já nas primeiras sessões”, afirma pai dela.

Desde então, Dorte, como tem condições financeiras, leva a filha a São Paulo para sessões com o ECT. Paga R$ 800 por sessão. Somando os custos com as viagens, ele afirma que o tratamento é caro e não seria acessível a todos.

Na saúde pública, somente São Paulo e Brasília, segundo ele, têm a máquina. Mesmo assim, isso exigiria entrar na fila de espera e também fazer viagens caras. Para ele, é preciso quebrar o tabu do antigo eletrochoque e abrir as portas de Mato Grosso para o atual método, que não traz nenhum prejuízo ao cérebro. “Até grávidas, impedidas de tomar medicamentos, podem fazer a eletroconvulsoterapia”, afirma. O ECT é recomendado também a psicóticos e epilépticos.

Psiquiatra Carlos Renato de Lima Periotto, presidente da Sociedade Mato-grossense de Psiquiatria, endossa que não há na literatura médica nenhuma contraindicação ao ECT. “Pode ser usado após tentativas com medicamentos e terapia ou, em alguns casos, até como primeira opção”. Segundo ele, deixar o cérebro deprimido por muito tempo é que é preocupante.

 

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Hospital psiquiátrico de JP fecha e situação gera caos na saúde, afirma sindicalista

O Sindicato dos Empregados em Estabelecimento de Serviços de Saúde do Estado da Paraíba (SINDESEP) está preocupado com o fechamento do Instituto de Psiquiatria (IPP) em João Pessoa. De acordo com o presidente do sindicato, Roberto de Andrade Leôncio, houve uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para o fechamento do hospital psiquiátrico.

 

De acordo com ele, o secretário de Saúde do Município, Adalberto Fulgêncio, não comunicou o fechamento do hospital aos Conselhos Municipal e Estadual de Saúde e soltou uma nota circular no dia 20 de fevereiro desse ano comunicando aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ao Pronto Atendimento de Saúde Mental, (PASM) e ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), ao Complexo Hospitalar de Mangabeira e o Hospital Infantil do Valentina a suspensão de internação dos portadores de necessidades especiais para IPP em virtude da recomendação do MPF por meio de ofício 183\2018 a partir do último dia 5.

 

 

Com isso, os pacientes de longa permanência serão acolhidos nos serviços de residência terapêuticas de João Pessoa. A preocupação do sindicato com essa determinação do secretário de Saúde do município é que o fechamento do IPP vai prejudicar 100 famílias de trabalhadores do hospital de forma direta e indireta ficando desempregadas e, levando em consideração, a necessidade das famílias dos portadores de necessidades, os quais só contavam com esta instituição que hoje atende 160 pacientes e que agora serão devolvidos aos seus familiares.

 

“E seus tratamentos ficarão sob responsabilidade de quem? “, indagou o presidente do SINDESEP. Roberto de Andrade Leôncio explicou que desde 2002 teve uma portaria 251 do Ministério da Saúde aonde determinava que o Estado e o município criassem uma comissão para regulamentar os hospitais de psiquiatria e fizessem suas classificações, “mas até a data de hoje não temos conhecimento da criação dessas comissões como também os pareceres dela”, afirmou.

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70% das mulheres escondem perturbações mentais durante a gravidez

Cerca de 70% das mulheres portuguesas escondem perturbações mentais e desvalorizam a gravidade deste tipo de patologias, que atingem “mais de uma em cada dez mulheres durante a gravidez ou no primeiro ano pós-parto”, revelou ao Correio da Manhã a psiquiatra e coordenadora da Unidade de psiquiatria e psicologia do Hospital Lusíadas, em Lisboa, Ana Peixinho. De acordo com a especialista, a saúde mental na gravidez é um “assunto de particular importância” porque pode ter sérias implicações como o aumento da automedicação, possível condicionamento de dificuldades neurocognitivas e comportamentais, aumento do suicídio materno e infanticídio, bem como o risco de complicações obstétricas, entre outras. Uma das principais doenças que podem surgir no contexto mental, durante a gravidez, é a depressão perinatal e que pode afetar também o pai da criança. “Os sintomas englobam tristeza, diminuição do interesse e do prazer nas atividades habituais, alterações do apetite e sono, agitação ou lentificação física e psíquica, fadiga, perda da autoestima, diminuição da concentração e ideias recorrentes de morte. Estes sintomas prolongam-se pelo menos duas semanas”, explicou Ana Peixinho. Em casos “extremos”, a doença mental pode levar à rejeição da criança por parte dos pais. “Duração nunca vai ser igual”, dizAna Peixinho, Médica Psiquiatra no Hospital Lusíadas CM – A duração de uma depressão pós-parto é igual em todos os casos? Ana Peixinho – A duração nunca vai ser igual. É individual e depende de múltiplos fatores. Pela própria definição de depressão perinatal, a duração da doença não poderá ser superior a 12 meses. Contudo, se ultrapassar este período de tempo, deixará de ser depressão perinatal por definição e passará a depressão. – Há fatores de risco para o desenvolvimento desta doença mental? – Sim e subdividem-se em três grupos: sociais, psicológicos e biológicos. Os sociais incluem o nível socioeconómico, os psicológicos englobam os traços de personalidade, enquanto os biológicos reúnem a suscetibilidade genética e hormonal. “Pós-parto foi muito conturbado” Ana Vale é enfermeira e viu a sua saúde mental comprometida no último trimestre da gravidez. “Tive conhecimento de alguns problemas de saúde que me impossibilitaram de fazer algo que muito expectava: amamentar”, contou ao CM, acrescentando que “também o pós-parto foi muito conturbado, com instabilidade emocional”. Ana pegou nas “experiências” da gravidez e criou o blogue ‘Mulher Filha e Mãe’. “Senti necessidade de conhecer outras mulheres e famílias que podiam estar a passar pelo mesmo e conhecer estratégias que utilizavam para ultrapassarem estes momentos” contou. Exercício físico promove saúde mental na gravidez Existem algumas técnicas para promover a saúde mental durante a gestação. Desde logo, criar uma ligação forte entre o médico de família, a grávida e o obstetra. “Também o envolvimento do pai da criança e da rede familiar são importantes nesta fase”, disse ao Correio da Manhã a psiquiatra Ana Peixinho, acrescentando que “no período pós- -parto, as visitas periódicas e individualizadas são preconizadas, bem como o apoio telefónico diferenciado, não só para ajudar com dificuldades na amamentação, mas também emocionais e para desenvolver estratégias para lidar com dificuldades/privação do sono”. Os especialistas aconselham ainda as gestantes a praticarem exercício físico, uma vez que “a libertação de hormonas pode fazer com que estas se sintam melhor”. Chorar é igualmente uma atividade que deve ser encarada com normalidade. Manter uma dieta saudável e equilibrada é também um conselho dos médicos especialistas. Drogas causam lesões nas crianças O consumo de álcool, tabaco e drogas durante a gestação pode deixar sequelas graves nos bebés. De acordo com os especialistas, as lesões causadas por este tipo de substâncias podem ser irreversíveis. As mães com histórico de consumo deste tipo de substâncias têm maior probabilidade de desenvolver doenças mentais quer durante a gestação, quer no pós-parto.

Ler mais em: https://www.cmjornal.pt/sociedade/detalhe/70-das-mulheres-escondem-perturbacoes-mentais-durante-a-gravidez

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Por que a personalidade muda com a idade, segundo esta pesquisa ?

Casal de idosos em Sofia, na Bulgária

Diferenças individuais de personalidade podem estar associadas a decisões e atitudes importantes sobre, por exemplo, trabalho e cuidado com a própria saúde. Uma série de estudos aponta que a personalidade se mantém em grande medida estável no decorrer do tempo. Há trabalhos indicando que traços de personalidade extrovertida na juventude se correlacionam a índices mais altos de bem-estar na velhice, enquanto traços neuróticos – ligados a sentimentos como de ansiedade, solidão, frustração, inveja e depressão – tendem a se correlacionar a menos bem-estar. Um estudo publicado em 2016 na revista científica da American Psychological Association buscou, no entanto, medir se há mudanças significativas na personalidade em um intervalo especialmente longo, de 63 anos no total. O trabalho foi mencionado em um artigo de fevereiro de 2017 no site do Fórum Econômico Mundial. A pesquisa adota a seguinte definição de personalidade: “padrões característicos de pensamento, emoção e comportamento de indivíduos, junto a mecanismos psicológicos – ocultos ou não – por trás desses padrões”. Ela mede variações de personalidade de pessoas quando elas tinham 14 e 77 anos. A conclusão foi de que, ao contrário do que se esperava, a personalidade mudou dramaticamente nesse período. “Nossos resultados sugerem que quando o intervalo [de análise] é elevado para 63 anos, mal há traços de relação [entre personalidades]. Mudanças de personalidade ocorrem gradualmente no decorrer da vida, mas na vida adulta a personalidade pode ser muito diferente da infância.” Pesquisa “A estabilidade na personalidade entre 14 e 77 anos”, publicada em dezembro de 2016 na revista da Sociedade Americana de Psicologia Como a pesquisa foi realizada Dados sobre o grupo pesquisado foram coletados inicialmente em 1947, entre jovens nascidos em 1936 na Escócia, em um grupo de mais de 70 mil crianças. Foram realizados testes de inteligência e personalidade. Posteriormente, 1.208 desses jovens foram selecionados para a realização de mais estudos. Em 1950, pesquisadores pediram que os professores desses jovens dessem notas gradativas que iam de “fortemente em falta” até “fortemente apresentada”, avaliando seis traços de características estudados com frequência pela psicologia: Autoconfiança, a segurança sobre o próprio julgamento, poder e habilidade Perseverança, a capacidade de insistir para atingir o sucesso, apesar dos desafios Estabilidade de humor, ausência de grandes oscilações de humor, do tranquilo para o irritado, ou do alegre para o depressivo, por exemplo. Esse é o pólo oposto a neuroticismo, que se relaciona a emoções negativas, como depressão e ansiedade Conscienciosidade, a busca por eficiência, cuidado, organização e seriedade no cumprimento de obrigações Originalidade Desejo de atingir a excelência A análise estatística sobre a presença ou ausência desses traços de personalidade mostrou que eles tendiam a acompanhar um ao outro. Havia uma correlação forte entre eles, por isso os pesquisadores os associaram em um único termo: dependabilidade, que se correlaciona em grande medida com a conscienciosidade. “Dependabilidade é um traço que descreve motivação e diligência; é possível confiar em um indivíduo com altas notas desse traço para realizar objetivos, resistir a desistir, e talvez, para ser mais racional do que emocional”, afirma o trabalho. O mesmo questionário foi aplicado para avaliar 171 dessas pessoas em 2012, quando elas tinham 77 anos, em média. O documento foi preenchido por pessoas que conheciam os pesquisados, como amigos, familiares e parceiros amorosos. Os próprios participantes também preencheram o mesmo questionário. Também se pediu que completassem uma pesquisa sobre personalidade, uma sobre bem-estar mental, uma sobre satisfação com a vida, um teste de capacidade de leitura, um teste de cognição, um questionário sobre sua saúde mental e os mesmos dois testes de inteligência que haviam realizado na infância. Foram excluídos idosos diagnosticados com demência, que leva a mudanças de personalidade. O que a pesquisa concluiu Os pesquisadores escrevem que, com base em pesquisas anteriores, esperavam encontrar estabilidade de personalidade no decorrer da vida das pessoas pesquisadas, mas que essa expectativa foi frustrada. Não foi encontrada uma forte correlação entre as notas de dependabilidade durante a juventude, aos 14 anos, e durante a velhice, aos 77. Isso é um indício de que a personalidade muda drasticamente durante a vida. “Nossa hipótese era de que encontraríamos estabilidade de personalidade ao longo de um período ainda mais longo [do que o analisado por trabalhos anteriores], de 63 anos, mas nossas correlações não trouxeram suporte a ela”, afirmam os pesquisadores. O trabalho afirma que é possível que isso tenha ocorrido devido a mudanças nas circunstâncias de vida, e ao declínio da capacidade física e cognitiva na velhice. Além disso, a adolescência é uma época da vida particularmente dinâmica. Por isso, é possível que os pesquisados tenham passado por alterações de personalidade em idades próximas à primeira fase da pesquisa. A pesquisa também admite que é possível que os resultados tenham sido influenciados pelos diferentes graus de capacidade dos alunos de se relacionarem com os professores e obterem avaliações positivas deles, assim como por preconceitos desses professores. “Observadores também podem ser influenciados por uma série de fatores irrelevantes, como aparência, sua opinião sobre a família de um sujeito, ou preconceitos em relação à área em que ele vive”, diz a pesquisa. Traços de permanência de conscienciosidade e estabilidade Um modelo matemático mais complexo utilizado pelos pesquisadores indicou, no entanto, relativa estabilidade em duas características: conscienciosidade e estabilidade de humor. Esse é um indício de que “as personalidades na velhice e na infância podem não estar completamente desvinculadas”. Além disso, a pesquisa também indicou uma associação entre níveis de inteligência maior e estabilidade de humor. “Uma inteligência maior pode levar a uma maior estabilidade de humor devido a uma capacidade melhor de administrar circunstâncias ambientais para obter maior vantagem”, afirma a pesquisa. Via de regra, no entanto, há pouca estabilidade de personalidade, diz o trabalho. EXPRESSO Qual o plano B do governo para a Previdência. E qual a disputa sobre ele

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